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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

MEDICALIZAÇÃO DOS PROBLEMAS SOCIAIS E DA EDUCAÇÃO

Chega às crianças e adolescentes a transformação de problemas sociais e educacionais em doenças, com o objetivo de individualizar questões coletivas, controlar e silenciar a sociedade.
Há algum tempo a biologização de questões psicológicas, são divulgadas como verdades científicas, resultando em intervenções invasivas nos indivíduos. Exemplo disso são o recorde de venda de medicações, especialmente as psicoativas.
A lógica biologizante leva a população a acreditar que o ser humano não passa de uma máquina, e basta trocar peças ou utilizar uma medicação que faça funcionar melhor as engrenagens e tudo ficará bem. Temos até a pílula da felicidade.
Relações familiares muitas vezes comprometidas com conflitos, dificuldade em assunção e adjudicação de funções de pai, mãe e filho, problemas em compatibilizar trabalho, lazer e vida familiar e questões sociais graves referentes a moradia, trabalho, saneamento,lazer e cultura, são individualizadas nos adultos através de patologias como ansiedades, medos, depressões, crises de pânico e insônia, com a proposta de serem controladas através de medicações psicoativas ao invés de luta pelos direitos básicos do homem.
Em relação educação, as vítimas da patologização de questões sociais comunitárias são as crianças e os adolescentes?
Salas de aulas lotadas, escolas com instalações em condições precárias, professores sem a devida valorização e motivação. Politicas educacionais voltadas a produtividade e massificação no lugar de uma pedagogia libertadora são questões reduzidas a patologias individuais denominadas como problemas de aprendizagem.
Pseudodoenças como "Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade" ou "Dislexia", com prevalência de até 15% da população estudantil, passível de tratamento medicamentoso, mesmo na mais tenra idade e nos primeiros anos de escola.
Quem ganha com isso?
Precisamos discutir políticas públicas na área de educação, reinvidincar ensino público de qualidade e não setenciar nossos filhos com diagnósticos e prognósticos, vamos garantir a singularidade de nossas crianças e adolescentes, para que tenham um futuro de sucesso e uma vida criativa.
Pais, profissionais de saúde e educação, conselhos profissionais, sindicatos, políticos, vários movimentos populares e pessoas físicas estão preocupados com esta situação, organizados no Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, participe também.
Você pode conseguir maiores informações no site do CRPSP abaixo;
http://www.crpsp.org.br/portal/boletim/
Aproveite para assinar o Manifesto de Lançamento do "Fórum sobre a Medicalização da Educação e da Sociedade".
Para aprofundar a discussão leia:
Medicalização de Crianças e Adolescentes "conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doenças de indivíduos" Conselho Regional de Psicologia SP - Editora Casa do Psicólogo

sábado, 29 de janeiro de 2011

VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES E EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE

Muito se discute a respeito da política de educação no Brasil, porém ouvimos muita demagogia e pouca discussão séria.
Enquanto isso, já estamos na 2ª geração de crianças e adolescentes analfabetos funcionais, muitos sabem escrever (copiar) e não conseguem ler, outros nem isso. Que situação nos encontramos, pois os responsáveis pela política educacional continuam centrando fogo nos professores, culpabilizando-os por esse desastre.
Cobram dos professores que sejam com seus alunos mães afetuosas, pais presentes, psicólogos eficientes, assistentes sociais, terapêutas familiar, distribuidores de uniformes, etc, etc, etc. Dizem que oferecem reciclagem, pós-graduação, ótimos salários e que devem ser cobrados por isso.
Deixam de dizer que a grande maioria faz jornada dupla para melhorar os rendimentos, que muitos estão adoecendo pela baixa condição de trabalho, e que por serem a priori culpados, são cobrados por todos e não podem cobrar ninguém.
Com todas estas atribuições quando poderão exercer seu papel de professor?
A quem recorrer em caso de dúvida, de necessitar uma assessoria?
Com quem contar?
Existe a necessidade de em 1º lugar definir claramente os papéis dos diversos atores na aprendizagem.
Quanto mais claro melhor, por que assim saberemos quem realmente está falhando.
Qual é a função do Governo, e a da Secretaria, do Diretor, do Coordenador, dos Pais, dos Alunos. Se soubermos, não ficaremos apenas cobrando os professores.
Em 2º teremos que ter em cada escola uma equipe de apoio aos professores, composta minimamente por um psicopedagogo e um psicólogo escolar, quem sabe um assistente social ou sociólogo.
3º que o professor deixe de ser solitário em sala de aula, e se sinta parte de uma equipe de educadores que facilite sua prática diária.
E em 4º lugar limitar o número de alunos em sala de aula, para que o professor possa criar condições de ter um relacionamento singular com seus alunos e lidar com as dificuldades inerentes ao processo de aprendizagem, ser um facilitador da inclusão e não uma vítima.
Dessa maneira poderemos começar a revolução da escola pública, mesmo assim teremos que pensar no contigente das gerações passadas, que quanto mais retardarmos essa mudança, maior será seu número.
Vamos dar voz aos professores, vamos construir uma educação democrática e inclusiva.
Valorizando e respeitando o Professor construiremos uma política pública educacional de verdade sem demagogia e politicagem